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Expresso

Breves (2)

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Ainda em silly season, alguns apontamentos tentativamente not-so-silly.

É Verão e aparentemente não se fala da Grécia. Foram convocadas eleições antecipadas (tecnicamente o governo demitiu-se) e Tsipras procura solidificar a sua maioria revolucionária. Claro que agora o revolucionário é ser a favor da Tróica (das instituições, perdão) e querer cumprir o memorando. Quem está de fora é reacionário, não havendo para já sinais da força que a mudança trazia.

Quem definitivamente já perdeu o interesse – depois de fazer capas com o povo grego a celebrar a “mudança” com a vitória do Syriza (o revolucionário) – foi a imprensa portuguesa. A privatização dos aeroportos já só é notícia porque foi uma empresa alemã a ganhar o concurso do senhor Tsipras. Maldito seja, o neo-pós-comunista.

Mas olhando para Portugal, em pré-campanha, vale a pena ler as cartas de Costa. A sério. Chamo-lhes cartas mas são epístolas, o que para a veste messiânica como o secretário-geral socialista usa, é de esperar. Os Efésios são, neste caso, os indecisos. E só recomendo mesmo com toda a veemência que quem estiver indeciso sobre quem vota a possa ir ler. A sério. .

Mantenha, já agora, caro leitor indeciso, na sua mente que António Costa é o ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa. É que têm-se ouvido da sua parte queixas de que o governo tem usado as suas funções para campanha. Vindo dum homem que foi Presidente de Câmara enquanto pôde e que ainda esta semana se passeou por lá para fazer campanha é notável. Nem o PCP que regularmente utiliza as camionetas dos “seus” municípios para levar manifestantes para a porta do Parlamento tem tanta lata.

O que falta ao PCP, na verdade, é um ou outro livro de história. Aparentemente Bruno Dias terá ficado muito incomodado por ouvir Paulo Portas a enaltecer a virtude do debate em Democracia. O que Portas disse é evidente: que debaterá com quem quiser e puder até porque não está num país comunista onde, quem se opunha aos mesmos era rapidamente tirado de circulação. Liderando um partido que tem mais votos que PCP e BE juntos (com os Verdes, os três partidos mais à esquerda igualam o CDS) viu-se vetado por PCP e PS nos debates televisivos com os líderes partidários. Como os percebo!

Entretanto a economia portuguesa, as contas do estado e os números do desemprego vão todos apontando no sentido de que Portugal não só está melhor que há quatro anos como está numa trajectória positiva. É hoje bastante claro que a sobretaxa de IRS será devolvida em grande parte já em 2016 e que a redução do IRC trouxe até um aumento de receita. Talvez o problema dalguma oposição seja o de ter sempre apostado em que isto não acontecesse. Hoje, perante as evidências, pouco resta que não seja manter o discurso, descolado da realidade. O PS tenta cavalgar uma onde de descontentamento que é cada vez mais pequena, sem conseguir em momento algum mostrar satisfação por se ter resolvido um problema que provocou. E eu que sou apreciador de exercícios de ironia fina acho que ao fim destes anos os portugueses sabem onde não procurar o rigor das contas nem o crescimento económico. Falta pouco mais de um mês para sabermos.