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Expresso

O resgate do nosso futuro

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A sessão plenária de ontem, que termina as reuniões da XII Legislatura, marca o final daquela que vamos recordar, muito provavelmente, durante muito tempo como a legislatura mais difícil desta Terceira República.

Há quatro anos quando o primeiro-ministro José Sócrates chamou a Troika para apoiar financeiramente o país, o estado das contas públicas era tal que o programa de assistência económica e financeira viria a impor condições nunca antes vistas. Recorde-se aquilo que pedíamos: sem condições de obter financiamento para os galopantes défices públicos precisávamos de dinheiro, dinheiro a juros mais favoráveis do que os que obtínhamos. Para conseguir esse dinheiro, quem nos emprestou pediu condições. Condições sobretudo para garantir que o estado e a economia portuguesa se transformassem para criar condições de que a situação que levou à insustentabilidade não se mantivesse.

Note-se que a opção foi nossa. Portugal poderia perfeitamente não ter chamado a Troika. Poderia ter enfrentado a bancarrota com toda a autonomia e soberania que um processo desses permitiria. Escolheu o governo Sócrates não o fazer assim e os portugueses com 80% dos votos no PSD, no PS e no CDS em 2011, confirmaram esse caminho.

O programa foi certamente duro, penso que menos duro que uma bancarrota e o corte no acesso a financiamento externo, mas ao contrário do que muitos declaravam (desejavam?) terminou com sucesso. Portugal está hoje com contas públicas bem mais sãs e com uma economia bem mais robusta do que em 2011. Ao contrário do que aconteceu ao longo dos dois mandatos de José Sócrates, a economia portuguesa cresce mais que a Zona Euro e o desemprego desce a olhos vistos - enquanto que o emprego cresce muito significativamente. E sobretudo acumulámos um importante capital de confiança: confiança dos nossos parceiros internacionais na nossa capacidade de reformar e de cumprir mas também confiança interna com os níveis de confiança dos empresários tão alarmismo há mais de uma década.

Como disse o vice primeiro-ministro esta semana, temos um futuro com esperança e com mais Portugal e menos Troika. O caminho que escolhermos para os próximos quatro anos não nos pode levar a novo resgate. Seria traição aos enormes esforços que fizemos e seria deitar fora tudo o que conquistámos, seria perder o futuro que resgatámos. Façamos da XIII Legislatura uma legislatura de continuidade no caminho do crescimento e da recuperação.