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Expresso

Encruzilhadas - continuar a recuperação ou nova bancarrota?

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A pergunta que se coloca para quem sai do governo depois de quatro anos, e pede os votos aos portugueses, é tão simplesmente “Com as condicionantes que tivemos, poderíamos ter feito melhor?” E nem é para chegar à resposta – resposta de La Palisse, porque após um processo destes é sempre fácil encontrar onde se poderia ter feito melhor – que vale a pena colocar a questão. É porque temos a obrigação de responder a todos o que esperavam mais e melhor destes quatro anos e devemos sem medo ir a debate sobre o mandato que ocupámos.

E recorde-se o compromisso mais importante assumido na campanha eleitoral pelo CDS: o fim, com sucesso, do programa de assistência e a recuperação da soberania nacional, entregue graças ao estado desastroso das finanças públicas em 2011. Esse objectivo foi conseguido apesar de muitos não o quererem. Lembremo-nos das “inevitabilidades” do segundo resgate, do programa cautelar e ainda do “mais tempo e mais dinheiro” – mais Troika, portanto - que muitos ameaçarem e alguns desejaram para Portugal.

Poderíamos ainda fazer um exercício de história alternativa sobre o que teria sido se o governo tivesse podido seguir o caminho de limitar os cortes salariais como inicialmente tentou e não ter de aumentar os impostos na extensão a que decisões do Tribunal Constitucional obrigaram. A Constituição portuguesa revelou-se, por via de quem a pode autorizadamente interpretar, bem mais benéfica com os aumentos de receita que com os cortes na despesa. 

Mas e apesar desses constrangimentos em sucessivas propostas orçamentais e das correcções lamentáveis do lado do aumento dos impostos, conseguiu-se  inverter um processo que em Portugal ocorre de forma praticamente ininterrupta desde o fim de 2000: o aumento do desemprego: desde Janeiro de 2013 que de forma também praticamente ininterrupta. Mas como se confunde muito o peso da emigração nos números do desemprego podemos olhar para os dados do emprego: sim, desde 2013 o número de pessoas com emprego cresce também - e não é devido a estágios profissionais ou empregos precários, como o INE explica e eu aqui desenvolvi.

A economia também cresce há mais de dois anos. Aliás, sucessivamente entidades nacionais - não-governamentais - e internacionais corrigem em alta as suas previsões para o crescimento económico português. Ao contrário da primeira década do século (com um crescimento anémico sempre alavancado no endividamento do estado, a década perdida) agora crescemos mais que a média europeia e portanto recuperamos o nosso atraso. A economia recuperou da alteração estrutural que teria sempre de atravessar quando atingimos a pré-bancarrota em 2011.

O PS entrou numa narrativa de que o país retrocedeu não sei quantos anos em não sei quantos indicadores. Quando foi nos anos do PS no governo que mais se retrocedeu nesses mesmos indicadores. Mas certo é que no PEC4, que o PS declarou como o salvador da pátria em 2011, as previsões para a economia portuguesa eram bem mais magras (4 vezes piores) que as que hoje o próprio PS aceita como verdadeiras para os próximo anos.

Dito isto, o período eleitoral que se aproxima deixará provavelmente muito pouco tempo para aprofundar estas questões. Votamos com o coração e com percepções muito mais do que com base em indicadores macro-económicos, oficiais, credíveis mas que não batem com uma imagem de país que criámos na nossa cabeça. Mas valerá a pena lembrar quem  durante estes quatro anos não acreditou em Portugal e sempre afirmou mil e uma catástrofes que nunca se realizaram. Vale a pena lembrar os que acreditaram num D. Sebastião estrangeiro para salvar Portugal: o senhor Hollande, o senhor Gabriel ou o senhor Tsipras - alguém salvaria de fora o país, mas todos goraram as expectativas.

Em suma, olhando para os quatro anos passados podemos facilmente identificar os que nunca acertaram quando não quiseram acreditar em Portugal e nos portugueses e podemos do outro lado identificar os que lutaram incansavelmente para salvar Portugal da bancarrota socialista. Olhando para a frente fica por decidir se  se queremos voltar ao passado e arriscar nova bancarrota ou se temos de continuar um caminho que iniciámos com dificuldade mas que colocou o país no caminho certo.

Essa, é a questão que se coloca aos portugueses nas próximas eleições.