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Expresso

Flagrante deleite

Híbridas, pequenas, fiéis e trabalhadoras

No filme "Reporters" do fotojornalista Raymond Depardon, rodado há 28 anos com uma câmara ao ombro e som directo, o então Maire de Paris Jacques Chirac contava entusiasmado a Benoit de Gysenberg, então um jovem fotógrafo do Paris-Match, que o primeiro ministro japonês lhe tinha oferecido uma máquina fotográfica que fazia tudo sozinha. Bastava ter paciência a enquadrar o sujeito, esperar que ela focasse e depois...clique."Qualquer dia nem de filme precisam!"- brincava Chirac.



Ora, hoje passados todos estes anos, Chirac adivinhou: as novas câmaras digitais não precisam de filme, mais: oferecem tudo o que um fotógrafo precisa: baixos custos de aquisição, qualidade, fiabilidade e uma ergonomia traduzida num design inteligente e sensorial, amigo do utilizador.A fotografia digital que ao princípio era uma aberração, porque era cara, de imagem medíocre e de utilização complicada nos computadores com sistema windows de há 10 anos, tornou-se numa actividade democrática, popular, porventura a forma de expressão que mais adeptos ganhou em todo o Mundo.



As máquinas fotográficas de hoje estão a ser concebidas para serem usadas por todos, tal como os automóveis. E nem falo de máquinas amadoras, porque a barreira entre modelos pro e para todos quase se desvaneceu. Tal como na indústria automóvel, não há carros mesmo maus, já não há câmaras más, apesar de haver algumas francamente superiores à maioria, sem que isso se reflicta obrigatoriamente no preço.



Esta semana duas grandes novidades foram anunciadas. Uma pequena câmara da Panasonic, a Lumix Lx3, que pela primeira vez contempla um zoom 24-60 com uma abertura 2 e 2,8. Traduzindo: traz uma super- grande angular com uma abertura igual à das melhores objectivas profissionais que permite fotografar em más condições de luz e uma pequena teleobjectiva também muito luminosa. A pequena câmara de 400 euros tem um visor óptico como as Leicas e o construtor assegura baixo ruído em alta sensibilidade. É de pôr doido qualquer fotógrafo. Escusado será dizer que há já uma corrida à máquina. Pequena, fiel e trabalhadora.



Outra grande novidade foi o anúncio pela Nikon de uma máquina fotográfica reflex, a D90, que também pode fazer vídeo. É a hora das hibrídas depois dos hibrídos! Esta possibilidade mista já estava implantada nas máquinas de amador há algum tempo mas agora essa função é possível numa máquina profissional. Se pensarmos que o sensor de uma máquina reflex é muito maior do que o de uma máquina de filmar pro, imagine-se a qualidade de imagem que vai ser possível !



Entretanto a Canon vai anunciar, provavelmente esta semana, também uma fotográfica pro que filma.

Luiz Carvalho, fotojornalista do EXPRESSO