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Expresso

Couve de Bruxelas

Debandada na equipa de Durão Barroso

Tal como tantas coisas na vida, um emprego na eurocracia só é bom até aparecer outro ainda melhor. Sendo que o "melhor" resulta sempre de uma avaliação subjectiva, claro.

Uma prova suplementar desta facto foi dada hoje pelo já futuro-ex-comissário europeu de nacionalidade cipriota. Markos Kyprianou demitiu-se da equipa de Durão Barroso para assumir o cargo de ministro dos negócios estrangeiros de Chipre, logo que o(a) substituto(a) esteja em condições para assumir funções. 

O primeiro comissário de Chipre é a primeira baixa de vulto confirmada na equipa de Durão, cujo mandato termina em Novembro de 2009, mas não será a última.

Entgretanto, o comissário italiano, Franco Frattini, já anunciou a Barroso que vai suspender o mandato para participar ao lado de Silvio Berlsuconi na campanha para as eleições de 13 e 14 de Abril. E não é segredo que, com a quase certa vitória de Il Cavaliere, Frattini tem prometida uma pasta ministerial em Roma, talvez na administração interna. 

Em Junho do ano passado foi a vez do comissário belga, Louis Michel, estar de malas aviadas para regressar á cena política do respectivo país, o que acabou por não acontecer devido à falta de entusiasmo dos eleitores do país de Tintin.

Uma verdadeira debandada que alastra aos níveis inferiores do executivo comunitário. Um terço dos porta-vozes que iniciaram funções em 2004 já encontrou novos trabalhos mais promissores no seio da instituição ou mais bem remunerados no sector privado, em muitos gabinetes há muita gente já mais preocupada com o seu futuro pessoal do que com o futuro da Europa. 

E Barroso?

A única garantia é que deverá ser o último a abandonar este navio. Sendo certo que pondera seriamente recandidatar-se ao cargo, até 2014, e não perde de vista as perspectivas que se abrem com a criação de um presidente do Conselho Europeu o que, em qualquer dos casos, lhe prolongaria a estadia em Bruxelas por mais uns anos (mantendo-o confortavelmente afastado temas pouco glamourosos como o Casino de Lisboa ou o financiamento do PSD pela Somague).

Um cargo novo que, embora de contornos ainda não muito bem definidos, promete, juntamente com o futuro ministro dos negócios estrangeiros europeu, ofuscar o papel do presidente da Comissão Europeia.

Daniel Rosário