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Expresso

Telegramas da saída limpa

É mesmo um regresso aos mercados?

Ricardo Costa

Ricardo Costa

Diretor de Informação da SIC

Com o airbag do BCE, um swap de dívida e um prolongar dos prazos de maturidade, Portugal está em condições de seguir a Irlanda no regresso aos mercados. Com tanta protecção e alterações de regras, este será mesmo um regresso aos mercados? Muitos dirão que não, sobretudo com argumentos que dão jeito a análises políticas: o BCE impede que as coisas corram mal, os bancos portugueses estão alinhados para comprar o que houver, muita dívida estará pré-colocada, o swap já foi uma espécie de renegociação e os novos prazos são mesmo uma renegociação.

Certo? Nem por isso. Eu, que escrevi várias vezes que seria quase impossível que Portugal regressasse aos mercados em 2013, reconheço sem qualquer problema que com estas regras Portugal está em condições de o fazer. Mais relevante, a estratégia negocial de Vítor Gaspar foi a correcta, sobretudo nos prazos em que jogou as suas cartas. Sempre sem forçar e sempre a aproveitar a terra firme que outros, sobretudo a Irlanda, iam pisando.

Assim, Portugal vai mesmo regressar aos mercados. Como escreve hoje o Henrique Monteiro, Portugal regressa aos mercados mas os portugueses não. É verdade que não vamos sentir alterações com esse regresso. Mas há uma verdade ainda mais óbvia: sem regressarmos aos mercados, não recuperamos nenhuma autonomia política nem orçamental. Não sei o que se passará depois do regresso, mas sei que sem esse regresso não se passará nada.