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Expresso

Telegramas da saída limpa

Ricardo Costa

Ricardo Costa

Diretor de Informação da SIC

Atenção que Trump é popular

Depois dos mercados, as sondagens. Já são, pelo menos, dois indicadores sólidos a mostrar que as reações imediatas às políticas de Donald Trump não são a que a maior parte dos analistas ou comentadores políticos pensavam. Aliás, já não eram durante a sua longa campanha partidária e depois nacional.

O novo Presidente americano sempre ligou muito mais a indicadores diretos do que a opiniões ou reações intermediadas, fossem de jornalistas, de políticos, de economistas ou de organizações e instituições em geral. A sua preocupação – e a chave do seu sucesso eleitoral – foi sempre a de perceber o que pensam as pessoas, como reagem as pessoas, quais são os seus medos, anseios e desejos imediatos.

Apesar da bolsa americana ter caído ontem e de alguns indicadores terem tido uma descida assinalável, os mercados têm aplaudido Trump. As suas medidas económicas, quase todas centradas em efeitos imediatos vão injetar dinheiro na economia, provocar inflação e fazer subir o valor de muitas ações. Os mercados gostam disso e não se importam de descontar a incerteza que o estilo emotivo de Donald Trump provoca. Entre o deve e haver, os mercados surfam a onda e todos os índices batem recordes.

O que se passa nos estudos de opinião não é muito diferente. Apesar da confusão geral, das polémicas internacionais e de muita divisão interna, há muita gente nos EUA contra a imigração, em particular a muçulmana. A sondagem ontem divulgada pela Rasmussen – um instituto de estudos de opinião de matriz conservadora muito respeitado – mostra que 57% dos americanos estão a favor das medidas anunciadas em relação a entradas nos EUA. Ou seja, o caos nos aeroportos, os atropelos à lei, as dúvidas na implementação das medidas ou as contradições da decisão não sensibilizaram a maioria da população americana.

O que os inquiridos demonstram é que estavam à espera destas medidas, que, aliás, tinham sido anunciadas durante a campanha. Se funcionam ou têm qualquer efeito prático é uma questão em diferente. O que Trump quer é ir ao encontro dos sentimentos mais básicos e imediatos, que explorou durante a campanha. E isso é popular. Os media exploraram muito o facto de o novo Presidente ser o mais impopular das história recente dos EUA. Mas deviam ter mais atenção a estes estudos, feitos já depois da posse. Trump terá apoio em muitas medidas e os mercados a aplaudir. Durante uma primeira fase e provavelmente por mais algum tempo, é melhor contar com um presidente popular.

NOTA: a sondagem da Rasmussen que sustenta este texto foi realizada antes das medidas de Trump estarem em vigor. Ou seja, mostra a opinião dos americanos antes da sua efetivação. Uma outra sondagem feita pela IPSOS para a Reuters, já realizada depois do fim de semana revela que 49 por cento dos eleitores aprovam as medidas de Trump e 41 estão contra. No entanto, só um terço dos inquiridos é que se sente "mais seguro" com estas medidas