Siga-nos

Perfil

Expresso

Telegramas da saída limpa

Ricardo Costa

Ricardo Costa

Diretor de Informação da SIC

Os juros não são o diabo, são uma coisa pior

O principal erro da oposição foi ter passado o ano de 2016 a adivinhar crises políticas e sanções europeias, que nunca existiram ou que foram evitadas com relativa facilidade. E o principal erro do governo foi ter aplicado quase toda a energia nessas duas frentes, desvalorizando o principal problema macroeconómico do país, que é a dimensão da dívida e o facto de ter a sua gestão dependente de uma política transitória do BCE e da vontade de uma só agência de rating.

No curto prazo, a estratégia do executivo socialista funcionou e deixou a oposição, sobretudo o PSD, numa espécie de dislexia política. Mas no médio prazo, isso não é necessariamente verdade. É certo que o governo conta com o crescimento da economia, com a saída do procedimento de défices excessivos aos olhos de Bruxelas, com uma melhoria da atividade bancária e com a estabilidade política para poder continuar o seu caminho e, assim, ir diminuindo a dívida e estar menos sujeito às variações dos mercados. Mas há fatores que o governo não controla e alguns estão a surgir à superfície na Europa.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito: basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso. pode usar a app do Expresso - iOS e android - para fotografar o código e o acesso será logo concedido)

  • Os juros da dívida pública portuguesa passaram hoje a barreira psicológica dos 4%. A barreira só é psicológica, porque pode ser, e até será provável, que nada aconteça por a ultrapassarmos. Mas corresponde, digamos, a uma derrota dos nossos objetivos. Por que razão isto acontece? Sobre isso, a maioria da Comunicação Social informou o suficiente: a inflação aumentou na Alemanha mais do que o esperado, de modo que o BCE terá tendência a ser pressionado por Berlim para imprimir menos dinheiro e a terminar com a sua generosa distribuição. Isso preocupa os investidores