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Telegramas da saída limpa

Ricardo Costa

Ricardo Costa

Diretor de Informação da SIC

Guterres no pântano dos homens fortes

No exato dia em que tomou posse como secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres percebeu que a tomada de Alepo pelas forças de Bashar Al-Assad é irreversível. A coligação russa e iraniana conseguiu, perante a impotência e indiferença das chamadas potências ocidentais, vencer uma batalha que muda para sempre a longa guerra civil síria. No mesmo dia, ficou claro que Pequim não vai esquecer o incidente provocado pela chamada telefónica da líder de Taiwan, que Donald Trump decidiu atender contra todas as regras diplomáticas.

Podia juntar mais alguns exemplos das disfunções políticas e diplomáticas que assolam o mundo neste momento, mas não é preciso. Basta olhar com um pouco de calma para estes dois exemplos e vermos quem são os protagonistas e os países envolvidos: os EUA de Trump, a Rússia de Putin, o Irão e a China, menos dependentes dos seus líderes mas com estruturas políticas ou teológicas pesadíssimas e pouco dispostas a mudanças de rumo.

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  • Em vez de indeciso Guterres é um negociador. Em vez calculista é pragmático. Em vez de pouco firme é político. Em vez de conservador é guiado pelas preocupações sociais da Igreja. O que era mau passou a ser bom. Dirão que os seus defeitos como líder político são vantagens como diplomata. Não acho que seja isso, até porque tenho ouvido elogios ao facto de não ser apenas um diplomata. As circunstâncias é que levam a olharmos para o mesmo passado da mesma pessoa de forma totalmente diferente. E é por isso que é errado dar à história o papel de justo julgador dos homens, como se esse julgamento fosse construído fora do tempo. Quem vai julgando o passado é o presente, nas suas circunstâncias. O Guterres de que falávamos era o primeiro-ministro que se demitiu. O Guterres de que falamos é o português que chegou ao mais alto cargo internacional. Um tinha perdido, mesmo que por suicídio. Este vendeu. E aos vencedores damos, com o mesmo material, outra biografia. Nem esta nem a anterior serão justas. São apenas as que nos convêm

  • Até ao topo do mundo

    A longa aprendizagem do português que se tornou o novo secretário-geral da ONU. António Guterres faz hoje o juramento

  • O homem que sabia demais

    No dia em que António Guterres toma posse como secretário-geral das Nações Unidas, recuperamos o artigo no qual Ricardo Costa explica e desvenda o homem que representa a maior vitória de sempre da diplomacia portuguesa