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Telegramas da saída limpa

Ricardo Costa

Ricardo Costa

Diretor de Informação da SIC

Trump já ganhou

As probabilidades de Donald Trump ganhar são bastante mais baixas que as de Hillary. Mas a possibilidade estatística de vitória - mesmo depois de adaptada ao sistema americano - existe e não pode ser posta de parte.

Mesmo o argumento mais sólido de todos, o perfil demográfico americano, não é hoje suficiente para afastar a hipótese de eleição do candidato republicano.

E essa mera hipótese quer dizer que Trump ganhou a guerra onde entrou como um perdedor: tomou de assalto um partido que o desprezava, destruiu todas as convenções políticas, contrariou todas as previsões apostando no seu estilo bizarro e numa auto-estima sem fim e obrigou uma candidata experiente a uma luta até ao último minuto.

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  • “Só votei em Hillary porque Bernie Sanders me pediu”

    Sarah Kresock tem 26 anos e vive em Boston. Tal como a maioria dos millennials, é apoiante de Bernie Sanders. Sem o senador do Vermont na corrida à Casa Branca, só há solução: votar em Hillary Clinton, por mais “desagrado” que isso lhe traga

  • As pessoas estão com medo e sentem-se fortes quando alguém que quer se presidente lhes diz, com tanta segurança, que as vai proteger do mundo. São estúpidas? Nem mais nem menos do que sempre foram. Trump é um demagogo? Não é o primeiro nem será o último. O que temos de saber é porque resulta agora o que não resultava antes. No primeiro mundo, os ganhos da globalização concentraram-se em poucos deixando uma vasta maioria de fora. As pessoas não têm medo da globalização porque temem o desconhecido. Têm medo porque estão a ser atiradas para o mar sem boias. A escolha é clara: ou mais proteção social e menos desigualdade ou novas formas de fascismo. A quem se limita a dizer que não se pode travar o vento com as mãos a história pregará a mesma partida que pregou muitas vezes: recordará que o ser humano muda, por vezes de forma trágica, o rumo da história. Donald Trump alimenta-se do caos. A única forma eficaz de o combater é começar a dar ordem ao caos. Levar a sério os sentimentos populares para lhes dar respostas sólidas. Infelizmente, foi Hillary que ganhou as primárias democratas. Se ela vencer, e espero que vença, adia-se a catástrofe. Mas temo que daqui a cinco ou dez anos o cenário seja ainda mais perigoso