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Telegramas da saída limpa

Ricardo Costa

Ricardo Costa

Diretor de Informação da SIC

Um imposto em forma de assim

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A última semana é um manual ambulante do que um governo não deve fazer em anúncios fiscais. Excetuando os fanáticos e os que têm por missão defender um executivo ou quem o suporta - duas categorias que existem sempre -, qualquer pessoa conclui que o processo foi um desastre.

Começou numa fuga de informação de um grupo de trabalho político, prosseguiu com explicações oficiais que pouco ajudaram, seguiu ainda com declarações várias em todos os sentidos, limites de valor diferentes divulgados publicamente, até que ontem à conversa estabilizou em declarações de acalmia, alguns dados concretos e pelo menos uma longa entrevista de Mariana Mortágua.

No meio disto, há quem ache que esta última semana correu lindamente ao governo. Não correu, como é óbvio.

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  • Novo imposto sobre o património atingirá no máximo 43 mil pessoas

    Mariana Mortágua esclarece em entrevista à TVI que só há 43 mil contribuintes com património acima dos 500 mil euros. Se nova taxa for aplicada a património acima de 1 milhão de euros, fasquia baixa para 8 mil cidadãos. Deputada do BE critica "aproveitamento" da direita sobre "o que não foi dito" para "criar um ambiente de medo"

  • Anda aí uma grande confusão sobre quem é de classe média. Ricos e desafogados usam a classe média como camuflagem para defenderem os seus próprios interesses, prejudicando a maioria da classe média, sem voz na comunicação social. A quase totalidade da classe média não é afetada quando se taxa património imobiliário de um, dois e três milhões de euros, como já fizera o governo anterior, apresentando a medida como "social-democrata". A quase totalidade da classe média não afetada (é beneficiada) quando se aumentam os escalões do IRS para diferenciar o que é diferente. A quase totalidade da classe média não é afetada quando se quer cobrar mais aos 1% mais ricos (e foi isso, e apenas isso, que Mariana Mortágua defendeu). Podem dizer que precisamos dos ricos e que por isso não os devemos incomodar com mais impostos e devemos manter um sistema fiscal injusto, baseado quase exclusivamente nos rendimentos do trabalho e no esforço de trabalhadores por conta de outrem com rendimentos próximos da média nacional. Só não pretendam que as dores de muito poucos sejam sentidas por todos

  • Mariana Mortágua: “Preocupa-me pensar que estou a dizer coisas que as pessoas não entendem”

    À boleia da controvérsia que tem rodeado as declarações de Mariana Mortágua relativamente ao novo imposto sobre o imobiliário, o Expresso recupera uma longa entrevista que ela nos deu em agosto de 2015 e onde se dá a conhecer. A deputada do BE revelava então que faz questão de não ficar "indiferente a processos de crítica" - "só assim posso ser convencida por argumentos melhores do que os meus", justificava - e que considera "importante passar as mensagens de forma a que as pessoas percebam". Características que decerto lhe serão muito úteis, agora, para ultrapassar a polémica do momento