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Telegramas da saída limpa

Ricardo Costa

Ricardo Costa

Diretor de Informação da SIC

O relógio da Justiça é o seu maior inimigo

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O prazo para a conclusão da investigação do caso José Sócrates foi ontem novamente prolongado. As razões alegadas para novo adiamento são as previsíveis e atendíveis: novos indícios, novas pistas, atraso de respostas de polícias de outros países, entre outras razões menores. A investigação fica, assim, com mais seis meses para concluir a acusação, sendo que, claro, a PGR já deixa no ar a hipótese de, “a título muito excecional”, o prazo poder novamente ser estendido em março de 2017.

É natural que um caso tão complexo de alegada fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção, demore a ser investigado e seja confrontado com novas hipóteses ou pistas ou obrigue a abandonar várias por falta de consistência. É ainda mais natural que estando um ex-primeiro-ministro entre os arguidos, os investigadores queiram ter um processo absolutamente blindado e sem falhas, pelo escrutínio inédito a que, naturalmente, vão ser sujeitos.

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  • Carlos Alexandre achou por bem, por duas vezes, a propósito de nada e sem que tal lhe fosse perguntado, dizer que não tem contas em nome de amigos. A referência à acusação não formalizada a Sócrates é óbvia e intencional. E vem da boca do juiz responsável pelo caso. Pode o Carlos Alexandre ser o mais espartano dos homens, imbuído de um enorme sentido de missão que quase se mistura com o sacerdócio. Pode ser tão sério que nem amigos tem, tão trabalhador que nem férias faz. Pode até ser o mais popular dos juízes e todos os que o critiquem suspeitos de amizade por corruptos. Pode ser tudo o que diz de si mesmo e ainda mais o que dele dizem na rua. A sua autoestima e popularidade são irrelevantes. Porque tem de estar muito baralhado sobre o seu papel para achar boa ideia fazer piadolas na televisão sobre um arguido de um processo que está nas suas mãos. A falta de neutralidade voluntariamente expressou torna-o inadequado para a função que o Estado lhe confiou