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Telegramas da saída limpa

Ricardo Costa

Ricardo Costa

Diretor de Informação da SIC

A Goldman no mundo pós-2008

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A ida de José Manuel Durão Barroso para chairman da Goldman Sachs provocou ondas de indignação, por cá e por toda a Europa. A maioria das reações negativas são primárias e parcialmente erradas, não só porque a transferência é legítima e legal, mas porque decorrem de um ódio ou oposição pré-estabelecidos. No fundo, partem do princípio de que a política europeia anda sempre de mão dada com a alta finança e que esses dois mundos, por natureza desprovidos de regras éticas, se tocam na plenitude em Bruxelas. Nesse sentido, Durão seria o exemplo máximo dessa promiscuidade e falta de ética.

Quem conheça a Comissão Europeia e as suas instituições ou os mercados financeiros sabe que isso não é verdade, muito menos de forma continua, permanente ou linear. Sabe, aliás, que nos últimos anos os braços de ferro legislativos e regulatórios entre estes dois mundos têm sido brutais e nada consensuais, com apertadíssimas regras que não têm facilitado a vida à banca.

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  • Em França, nem a direita gosta de Durão. Hollande arrasa-o

    Durão Barroso sob fogo dos franceses. Não admira: em França, socialistas, direita e extremistas nunca gostaram dele. Até Jacques Chirac, o último Presidente próximo do gaullismo, o considerava “demasiado liberal” e nunca lhe perdoou por ele ter estado ao lado dos americanos na guerra do Iraque

  • Toda a gente sabe que a Goldman Sachs tem vários esqueletos no armário, e penso que até fora do armário. Toda a gente sabe que Durão Barroso, mesmo abandonando a política, sabia que esses esqueletos existiam. Toda a gente percebe que um presidente da República Francesa, no preciso dia da tomada da Bastilha, festa Nacional de França, devia estar calado sobre este assunto, sobretudo quando está a ser acusado de pagar quase dez mil euros por mês ao seu cabeleireiro.

  • Barroso desafia as leis da física, andando pelo mundo sem coluna vertebral e mantendo-se, ainda assim, sempre de pé. Mas por mais que me apetecesse escrever sobre ele, Barroso limitou-se a fazer a progressão natural na carreira de “gestor de inevitabilidades políticas que a globalização impõe às economias abertas”. Ou queriam que o homem vegetasse durante uma década num cargo destinado à fina flor da inutilidade, como capacho de quem manda a cada momento, de borla? E está muitíssimo longe de ser o primeiro. É impossível olhar para a União Europeia e não ver a Goldman Sachs por todo lado, sobretudo em todo o lado onde encontramos as causas ou as supostas “soluções” para a crise. Há anos que este grupo financeiro se dedica a comprar políticos no ativo ou a colocar pessoas suas em cargos públicos relevantes. E é apenas a mais alarve, não temendo dar nas vistas. Vai ser preciso muito mais do que umas regras de decoro para resgatar a democracia deste poder sociopata. Será preciso um autêntico levantamento democrático. Nos dias que correm, é quase uma revolução. Barroso é, nesta história, irrelevante. Como prova a extensa lista de avençados internacionais que aqui deixei e que apenas peca por estar incompleta