Siga-nos

Perfil

Expresso

Telegramas da saída limpa

Ricardo Costa

Ricardo Costa

Diretor de Informação da SIC

Um referendo inevitável e importante

  • 333

Pode um referendo ser, em simultâneo, irresponsável e necessário? Pode, e o que estamos a assistir esta semana no Reino Unido é a prova disso mesmo. As críticas a David Cameron pela promessa eleitoral e consequente marcação de um referendo sobre a pertença à UE são corretas mas absolutamente descontextualizadas. Ou seja, retiram totalmente o referendo do contexto em que foi prometido e agora convocado.

Se não fosse agora, seria daqui por um ano ou alguns anos. Cedo ou tarde, o Reino Unido teria que votar sobre um tema que cruza a sua política, que domina boa parte das campanhas e debates eleitorais e condiciona uma grande parte dos argumentos esgrimidos.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito: basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso. pode usar a app do Expresso - iOS e android - para fotografar o código e o acesso será logo concedido)

  • Sabemos como o nosso Orçamento de Estado depende de vistos prévios de uma instituição não eleita. Como as regras são diferentes para cada Estado. Como burocratas que ninguém elegeu fizeram cair governos eleitos da Grécia e Itália para os substituir por “tecnocratas” mais mansos. Como as imposições vindas da União correspondem um programa ideológico que, apesar de não ter passado pelo crivo eleitoral, se sobrepõe aos programas dos governos. Tudo isto pode parecer normal porque nos habituamos a viver na anormalidade. Mas não é. E está a minar os alicerces das democracias europeias. Não havendo uma verdadeira democracia europeia, não aceito transferências de soberania que enfraqueçam a legitimidade democrática do poder. Muito menos quando esses poderes, por não dependerem do povo, impedem políticas sociais. E como ponho a democracia e a igualdade à frente da Europa, isso faz de mim um antieuropeísta ou, como está em voga dizer-se, um soberanista. Ao abandonarem a defesa da soberania os democratas entregaram essa bandeira à extrema-direita e à direita populista. O que quer dizer que em vez desta posição soberanista se basear na legitimidade democrática do poder, se passa a basear numa identidade nacional e étnica. E é por isso que o debate do Brexit se está a fazer em torno da imigração em vez de se fazer em torno da democracia