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Telegramas da saída limpa

Ricardo Costa

Ricardo Costa

Diretor de Informação da SIC

Caixa Geral de Inquéritos

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Faz pouco sentido perder tanto tempo a discutir se deve ou não haver uma Comissão de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos. O "caso" da CGD não tem nada a ver com outros casos já inquiridos no Parlamento. Ou melhor, até pode ter alguns fundamentos semelhantes, mas está longe de ter as mesmas consequências.

Neste caso não estamos a falar de um banco morto nem de um banco zombie, mas da instituição financeira mais importante do país e que mantém uma enorme credibilidade junto dos depositantes e dos portugueses em geral.

É importante sublinhar esta ideia.

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  • Não ter consciência de algo não significa que esse algo não exista. Não trazer à luz o que se passou na CGD também não quer dizer que tudo esteja bem no banco público. Por que razão, nesse caso, esta resistência bastante generalizada a um inquérito parlamentar?

  • Entre 1998 e 2008 a CGD entregou ao Estado 2,7 mil milhões de euros em dividendos. O BPN, o BES ou Banif não entregaram um cêntimo. Quando as coisas correram bem a Caixa deu dinheiro ao Estado, quando correram mal custou dinheiro ao Estado. Nos privados, quando correram bem deram dinheiro aos acionistas e quando correram mal custaram dinheiro aos contribuintes. Concordo que a Caixa tem estado a léguas da cumprir o seu papel de banco público. E isso leva à segunda parte da conversa: o modelo de governação da CGD. A CGD não terá mais administradores do que a generalidade dos bancos. Mas é difícil compreender a necessidade de tantos administradores não executivos quando há apenas um acionista. O sistema anterior de remuneração era absurdo: recebiam a média do salário dos últimos três anos. Agora haverá uma comissão de remunerações que determina os salários, tendo em conta o mercado e as funções de cada um, como em todos os bancos. Mas não se poderia assumir, através do pagamento de senhas de presença, a função de serviço público dos administradores não executivos, sem experiência no sector financeiro? A pergunta tem de ser esta: como ter a mais competente das administrações para gerir um banco com objetivos diferentes dos privados? Este debate fica sempre a meio. Umas vezes esquecem a competência, outras a diferença, quase sempre as duas