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Expresso

Ré em causa própria

Matilde Rosa Araújo

Escrevo à mão... gosto de fazer letra. Gosto de desenhar a letra.
A letra tem uma beleza como a palavra tem uma música.
Um dia na escola da Calçada do Combro fiz uma sessão na Biblioteca. Brincávamos com as palavras. Eu perguntava quais eram as palavras mais bonitas. E uma aluna, magrinha, com umas olheiras até aqui, voltou-se para mim e disse:
"A palavra mais linda é "vosselência""!(Entrevista - a Matide Rosa Araújo )

Adelina Barradas de Oliveira

 De Matilde que posso dizer mais? Mais do que as sua próprias palavras dizem?

Nem me atrevo.

De Matilde, o nome, a escrita, a poesia, o Mundo das fadas, as crianças e os direitos delas, a escola e a escrita, as palavras e os textos.

De Matilde, um Mundo encantado do aprender e saber olhar.

De Matilde, a eternidade.

Para Matilde, as suas próprias palavras.

" Eu devia ter uma pena de Luz para contar esta história. E não tenho. Mas os olhos dos meninos são luz e quem lê há-de emprestar luz  às minhas palavras."

"Ser delicado é uma maneira de ser bom. É como se déssemos flores. Os nossos gestos também são flores."

"(..) Vim pelo rio abaixo, passei as pontes douradas, passei outras pontes de pedra, fui ter ao mar e cheguei a uma praia:- era Portugal"

Era uma vez...talvez em tempos muito antigos, talvez hoje ainda. (...) E viu o seu trabalho cheio de sombras, duro, sempre o mesmo. Talvez sonhasse com máquinas, sem saber mesmo que as havia. Com máquinas que lhe deixassem tempo para sorrir para o Sol."

" Dona Balbina era uma velha. Que importa ser velha? Viveu é o que quer dizer ser velho"

" E a menina ri. Senta-se de novo debaixo de uma laranjeira. Tem ainda uma grinalda de flores brancas nos cabelos negros.

E o livro está fechado sobre o avental de flores. O livro de poemas."

 

 

 

 

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Matilde Rosa Araújo nasceu em Lisboa, em 1921, tendo tirado a sua licenciatura em Faculdade de Letras, da Universidade Clássica de Lisboa, em 1945. Foi professora do Ensino Técnico-Profissional, e formadora de professores na Escola do Magistério Primário de Lisboa.

Foi autora de livros de contos e de poesia para adultos e de mais de duas dezenas de livros de contos e poesia para crianças. Dedicou-se à defesa dos direitos das crianças através da publicação de livros e de intervenções em organismos com actividade nesta área, como a UNICEF em Portugal.

Em 1980, recebeu o Grande Prémio de Literatura para Crianças, da Fundação Calouste Gulbenkian, e o prémio para para o melhor livro infantil, pela mesma fundação, em 1996, pelo seu trabalho Fadas Verdes (livro de poesias de 1994).

Matilde Rosa Araújo recebeu o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e, em Maio de 2004, foi distinguida com o Prémio Carreira, da Sociedade Portuguesa de Autores.

Faleceu em 6 de julho de 2010 na sua casa em Lisboa[