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Expresso

A Tempo e a Desmodo

Um filme para o PCP

O PCP faz humor involuntário: ontem, os comunistas acusaram o PS e o PSD de práticas inconstitucionais. Para o PCP, só há uma força constitucionalmente sã em Portugal: o PCP, claro.

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

I. O PCP julga que é o dono da Constituição Portuguesa (e, num certo sentido, tem razão). Quando alguém faz alguma coisa que desagrada ao PCP, é certo e sabido que os nossos comunistas vão invocar a Constituição de Abril para legitimar o seu desagrado. Para o PCP, apenas o PCP pode defender a constituição. Nesta visão, o PS, o PSD e o CDS são pulhas inconstitucionais que andam a trair o texto sagrado e o povo.

II. Estas atitudes de hipersensibilidade 'constitucional' revelam a mentalidade psicadélica do PCP. Os nossos comunistas vivem mesmo num mundo à parte. Aliás, vivem numa história à parte. Nessa história alternativa do PCP, Álvaro Cunhal é um grande democrata. Nessa história alternativa, Estaline ainda merece uns piropos simpáticos. Nesta história alternativa, o PCP, em 2010, tenta justificar os supostos erros de Cunhal na avaliação da Perestroika de Mikhail Gorbachev, aquela coisa iniciada 1985. Se isto não é humor (involuntário), então é o quê? Como é que podemos levar a sério um partido assim?

III. Kathryn Bigelow, a senhora que venceu o último oscar, já fez um filme que pode ser visto como uma metáfora do comunismo. O filme chama-se "K-19", e conta a "estória" de um submarino nuclear soviético. Através dessa "estória", Bigelow faz um retrato da História do comunismo, essa ideologia que, como dizia Popper, é uma máquina de mentir. Felizmente, essa velha máquina de mentir transformou-se numa máquina de humor involuntário, que é - felizmente - cada vez mais rara na Europa. Mas, infelizmente para Portugal, a democracia portuguesa é a única que ainda tem um PC forte.