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Expresso

A Tempo e a Desmodo

São as portuguesas mais feias do que as outras?

O filme repete-se. Amigos chegam do exílio polaco, brasileiro, italiano ou inglês e derramam a sentença fatal, pá, lá é que é, as mulheres aqui são muito defensivas, lá é que elas são giras, boas e fáceis. Será que é verdade? São as portuguesas mais feias e mais difíceis? Bom, comecemos pela evidência ululante: sim, as portuguesas são as mais difíceis de todo o hemisfério ocidental, incluindo Azerbaijão e Arménia. Confirmo isso sempre que coloco os pés para lá de Badajoz e todos os amigos estrangeiros que passaram tempo em Portugal também assinam por baixo: a portuguesa é a mulher mais difícil de levar para a cama. Não é opinião, é facto. Não é por acaso que os meus amigos julgam que estão no paraíso quando saem à noite na Polónia, Brasil, EUA ou Inglaterra: depois de uma vida a tentarem seduzir portuguesas, tudo aquilo é demasiado fácil. É como treinar com o Bayern e Barcelona para depois jogar com o Águias da Musgueira ou Pinhalnovense.

E será que as portuguesas são mais feias? Não, não são. Aliás, as mulheres da minha geração estão a destruir a ideia da portuguesinha atarracada e campeã mundial do lançamento do buço. Quando ando nas ruas de Lisboa com o meu velho, ele tem a tendência para considerar que "aquela e aquela só podem ser brasileiras ou da estranja". Não, pai, não são, são portuguesas. Mas o meu velho tem direito ao equívoco, os meus amigos não têm. Eles sabem perfeitamente que as nossas são tão boas ou melhores do que as outras. Já repararam que as ancas e rabos das polacas parecem a A2 num dia calmo? O problema, parece-me, está no facto de as portugueses serem "menos vistosas", para citar a minha mãe. Não se arranjam tanto, produzem-se menos no dia-a-dia. Mas de quem é a culpa? Delas ou nossa?

As portuguesas continuam a arriscar pouco na roupa e afins por causa da reacção bárbara do Zé Tuga, olha, olha, a gaja boa. Se vestissem aquilo que as polacas ou checas vestem, as portuguesas seriam consideradas como quengas nos locais de trabalho, na rua, até em casa. Uma mini-saia não coloca dilemas à gestão de reputação da polaca, húngara ou americana. Mas uma portuguesa tem de fazer essa gestão todos os dias, uma gestão que faz dela a mais difícil. Portanto, a culpa é nossa, do Zé Tuga. Continuamos a ter conversas e a olhar para as mulheres de uma forma controladora. Aliás, olhamos para elas como os mercadores de escravos do Gladiador, sim, senhora, deixe lá ver o dentinho. Há dias, uma amiga linda de morrer que foi morar para a estranja resumiu assim a questão: sabes, aqui não me sinto controlada no trabalho e na rua. António Variações dizia "lá vai o maluco, lá vai o demente, lá vai ele a passar". Se trocarem "maluco" por "galdéria", ficam com o retrato do problema. 

 

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