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Passos vs Rangel: ainda não acabou

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Ao contrário do que seria expectável, Passos Coelho não esmagou no congresso do PSD. Paulo Rangel anulou Aguiar Branco, e, agora, a reviravolta ainda é possível.

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

I. Antes do congresso do PSD, dizia-se que Mafra seria uma espécie de passeio para Passos Coelho. A maioria dos congressistas eram passistas, dizia-se. Porém, Mafra não foi um passeio para Passos Coelho. Longe disso. Aliás, ontem, o nervosismo parecia instalado nas hostes passistas. O primeiro discurso não correu nada bem a Passos Coelho, e correu bem a Paulo Rangel. Se o pavilhão estava tomado por passistas, isso não se notou: Paulo Rangel empolgou ali boa parte do povo laranja. E nunca foi assobiado, ao contrário de Passos Coelho. Lá fora, falava-se com passistas e com rangelistas, em igual medida. Aliás, fica a ideia de que o povo laranja está mesmo dividido ao meio (50%/50%)

II. Aguiar Branco foi anulado. Por completo. É um homem competente e sério, mas não tem a garra e o brilho para um jogo destes. Não foi apoiado por nenhum dos seus barões. Ou seja, Paulo Rangel venceu esse duelo dentro da ala anti-Passos Coelho. E agora o voto útil pode ainda fazer mossa na frota passistas. Muitas pessoas que iriam votar Aguiar Branco vão agora votar Paulo Rangel. E, acima de tudo, há uma coisa que pode fazer mossa em Passos Coelho: os votos da Madeira. São uns 5 mil militantes que, em princípio entregarão os seus votos a Paulo Rangel. Com os votos da Madeira e com o voto útil dos apoiantes de Aguiar Branco, a reviravolta ainda é possível.

III. Passos Coelho anda a fazer campanha há dois anos. Passos Coelho é o favorito, mas depois do congresso do PSD ficámos a saber uma coisa: no mínimo, já não vai haver goleada; no máximo, poderá haver reviravolta.