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Passos Coelho quer ser o novo Guterres

Pedro Passos Coelho foi uma desilusão. Esperava-se mais do suposto futuro primeiro-ministro. Revelou vícios de "jotinha" e uma estranha ambição: quer ser o Guterres do PSD.

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

I. Na análise ao debate de ontem, convém começar por algumas desonestidades intelectuais de Pedro Passos Coelho (PPC). O ex-líder da JSD insinuou que as declarações de Paulo Rangel (PR) no Parlamento europeu sobre liberdade de expressão em Portugal tiveram influência na forma como os mercados internacionais olham para Portugal, e, até, deu a entender que essas declarações contribuíram para a perda de milhões na bolsa portuguesa. Ora, isto é de uma desonestidade intelectual assinalável. É politiquice muito baixa.

II. Depois, já no fim, se bem percebi no meio daquela confusão, PPC tentou comparar PR a Elisa Ferreira (por ter assumido um compromisso na Europa que agora coloca em segundo plano para tentar ser líder do PSD). E o dedo em riste no final, cheio de ressentimento contra Manuela Ferreira Leite, também não era necessário. Um primeiro-ministro está acima disso. Estas tiradas revelam uma mentalidade "jotinha" em PPC. Uma mentalidade que já devia ter passado. Mas, se calhar, os militantes do PSD gostam desta mentalidade "politiqueira". Lamento, mas já chega disto.

III. Não se percebe muito bem aquilo que PPC quer dizer quando afirma que "quer dar uma mensagem de esperança ao país". Isso quer dizer o quê? Que espécie de optimismo é este? A mim, parece-me um optimismo "socrático" travestido em tons laranja. Tive aquela estranha impressão de estar a ver e a ouvir um segundo José Sócrates. Lamento, mas isto não chega.

IV. O ponto principal: PPC diz que é preciso evitar "rupturas", porque o país está farto da crispação provocada pelo estilo do actual primeiro-ministro. Ora, isto soa-me a familiar. Foi assim que António Guterres chegou ao poder: com uma mensagem vaga de esperança, e prometendo diálogo a uma nação cansado do estilo duro de Cavaco. PPC quer ser o Guterres do PSD. Lamento, mas isto não chega.