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O Ronaldo não mora na África do Sul

A África do Sul não devia aparecer nos nossos telejornais só por causa do Mundial de futebol. Por lá, a situação política quentíssima poderá afectar a vida de 500 mil portugueses.

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

I. Eduardo Pitta tem toda a razão: "à luz dos media portugueses, o assassinato de Eugene Terre'Blanche é um empecilho para o Mundial de futebol. Não fora a bola e ninguém, em Portugal, ligava peva ao assunto". De facto, convinha prestarmos mais atenção à África do Sul, porque vivem lá cerca de 500 mil portugueses. E o assassínio de Terre'Blanche é importante porque afecta a vida desses portugueses. Cristiano Ronaldo e Deco não são para aqui chamados.

II. O milagre político provocado por Nelson Mandela pode estar a acabar. A África do Sul, através de Nelson Mandela, passou de Estado-pária a grande promessa democrática de África e do "Sul". Através de Nelson Mandela, foi possível conter o ressentimento dos negros contra a minoria branca. Através de Mandela, foi possível evitar o efeito Robert Mugabe. Mas, com a reforma de Nelson Mandela, esse efeito pacificador está a perder força, e o ressentimento da maioria negra contra os brancos está a aumentar, e a ganhar voz política. Há uma nova geração de políticos sul-africanos que não esconde esse ressentimento. Pior: não esconde a admiração por Robert Mugabe e pelas suas políticas anti-"branco".

III. Como é óbvio, esta onda anti-"homem branco" poderá afectar a vida dos 500 mil portugueses que vivem na África do Sul. Convinha prestar atenção a este "pormaior". Portugal não começa nem acaba em Cristiano Ronaldo.