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A Tempo e a Desmodo

O CDS quer ser o quê?

O CDS vai ser uma força populista ou reformadora? No aperto, Paulo Portas vai ser o 'Louçã' no flanco direito de Passos? Ou vai ser um aliado reformador?

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

I. Adolfo Mesquita Nunes, uma das vozes mais sensatas do CDS, tem toda a razão: a inteligente jogada política do PSD obriga o CDS a tomar uma decisão: entra ou recusa entrar "na alavanca aparentemente reformista que se avizinha"; "o CDS faz parte da superação do Estado tentacular que temos (e disso será acusado) ou faz parte da teia de conservação do mesmo"?.

II. A reforma do Estado e do estado social (são coisa diferentes) é um facto politico em marcha. Através de dinâmicas endógenas ou através de dinâmicas exógenas (ex.: a UE a puxar as orelhas ao PS), as reformas serão feitas. Ora, seria preferível que as reformas fossem feitas através de um dinamismo interno. E aí o CDS pode representar um importante papel, enquanto aliado do PSD. Porque Passos não pode correr o "risco de ter um partido à direita a lucrar com as dores das suas reformas". Por outras palavras, o CDS não pode recuar para posições populistas, ou seja, Portas não pode ser para um governo de Passos aquilo que Louçã foi para o governo de Sócrates: o Átila populista que dizima o flanco (neste caso, o flanco direito).

III. A posição do CDS não tem de ser a do cordeirinho que segue os passos do pastor laranja. Nada disso. Mas deve ser a posição de um reformador atento, e até de "explicador" do PSD. Um exemplo: Eduardo Nogueira Pinto (ENP), um jovem valor do CDS, deu uma resposta à polémica da "justa causa" nos despedimentos. ENP diz que a proposta do PSD vai no sentido certo (temos, de facto, pouca flexibilidade laboral). Porém, continua ENP, a proposta laranja revela pouco "conhecimento" da realidade e precisa de alguns afinamentos: "há outros passos que poderiam ser dados antes de se chegar à flexibilização dos despedimentos. Por exemplo, liberalizar os contratos a termo (a prazo) (...) Neste momento, mesmo que empresa e trabalhador queiram, não é possível celebrar contratos a termo fora dos casos taxativamente previstos na lei. Muitas vezes chega-se a situações absurdas em que as partes querem celebrar ou prorrogar um contrato a prazo mas não conseguem porque falta o circunstancialismo legal". Eis um bom exemplo daquilo que o CDS pode ser: um actor que dá mais "realidade" às linhas-gerais do PSD.