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Expresso

A Tempo e a Desmodo

Este Benfica é um projecto literário

Para contar uma história precisamos sempre do botão rewind. Antes da entrada de Jesus, o Benfica era um fantasma do passado, uma aventesma raquítica sem força para suportar o peso da história ou o ego dos adeptos. Estávamos em 2009 mas os adeptos ainda não tinham saído da década de 80, altura em que a agremiação norte-coreana começou a mudar o ciclo do futebol português. De seguida, entre 1994 e 2009, o Benfica viveu uma época negra marcada pela hegemonia total daquele-clube-que-não-convém-pronunciar. Durante esse período humilhante, a equipa já entrava derrotada no estádio das Antas. Mas, de repente, uma gestão financeira nova e um novo treinador mudaram tudo. O brilho do título de 2010 confirmou logo ali o regresso do grande Benfica. Mas não ganhou a outra equipa os três títulos seguintes? Sim, mas teve finalmente o Benfica à perna. Convém recordar que a tal equipa lá de cima encomendava as faixas pelo Natal.   

O final da época passada, porém, colocou tudo em causa. Foi demasiado doloroso e parecia a queda definitiva de um projecto, parecia que o tal novo ciclo era uma impossibilidade. Era como se a vitória azul fosse tão inevitável como a lei da gravidade. Sim, o golo de Kelvin parecia ser a maçã das leis de Newton. Pior ainda: no jogo decisivo das Antas, a equipa voltou a entrar derrotada, presa, um bando de meninos num jogo de homens. Tudo parecia perdido. Não por acaso, esta época começou mal, com os jogadores ainda contra Jesus. Contudo, duas coisas mudaram o cenário. Em primeiro lugar, a morte de Eusébio cobriu a equipa de emoção no momento certo: as vésperas do jogo com o FC Porto. Em segundo lugar, Matic saiu e a equipa reencontrou um equilíbrio táctico inédito. Parece impossível, não é? A equipa perdeu o melhor jogador mas ficou mais equipa: o seis desce para central, os laterais passam a extremos, os extremos a interiores e solta-se um carrossel à antiga. Às vezes, até parece que estou a ver o toque de bola da equipa de 94, a última grande equipa antes da queda.   

Este título sabe ainda melhor do que o título de 2010. Ganhar assim depois do pesadelo do ano passado até parece coisa de filme. Hoje, dou graças a Deus pelo sofrimento da época passada, porque aquela dor vai ser a base de muitas vitórias. Portanto, aqui têm o projecto literário deste Benfica: ascensão, queda, redenção, uma redenção que, agora sim, vai virar a correlação de forças com a entidade azul e branca. Aliás, é por isso que o jogo mais gostoso desta época não foi disputado no campeonato mas sim na Taça. Na quarta-feira passada, um Benfica reduzido a 10 humilhou o Porto. E isto, meus amigos, é como ver uma bola a desafiar as leis da gravidade. 

 

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