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A Tempo e a Desmodo

E que tal reestruturar o dr. Jorge Coelho?

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

O BE quer reestruturar a dívida portuguesa com os credores externos, aqueles senhores suíços e alemães que ainda representam - para o BE - o gordo capitalista que explora os pobres enquanto fuma o seu charuto. Eu, se não se importam, tenho uma ideia mais simples para a pátria: reestruturar a dívida com as construtoras e concessionárias, a começar pelo "universo" Mota-Engil do socialista dr. Jorge Coelho (será que o dr. Jorge Coelho ainda é militante do PS?). O BE acha que o inimigo é o tal capitalismo internacional, que, a partir de fora, está a atacar a nossa pobre pátria. Ora, eu acho que o problema não é externo, mas sim interno. O nosso problema é este capitalismo chico-esperto gerado entre o regime e as empresas amigas do regime. Nós estamos endividados, porque pedimos dinheiro ao exterior para obras megalómanas idealizadas pelos políticos e realizadas pelas construtoras. O nosso problema está neste projecto (peço desculpa pelo eufemismo) de desenvolvimento assente nas obras-públicas-que-por-artes-mágicas-passam-a-ser-obras-de-lucro-privado. Já reparou, caro leitor, como a obra pública, em Portugal, acaba sempre numa renda vitalícia para uma concessionária/construtora? Por exemplo, aquilo que se está a passar na nova negociata das SCUTs é uma afronta. Uma afronta aos contribuintes e uma afronta às empresas que actuam no mercado sem esta renda garantida pelo Estado.

Há dias, no Expresso, Medina Carreira dizia qualquer coisa como isto: ou pagamos a saúde ou pagamos as PPP. Não vai haver dinheiro para as duas coisas. Espero que não continuem a ver em Medina Carreira uma espécie de Cassandra sem pontaria. O homem tem pontaria, e as suas contas costumam estar certas. Portanto, era bom começar já a discutir a renegociação dessa fatura perante as Mota-Engil desta terra. O país não suporta pagar o Estado Social e o Estado Social do dr. Jorge Coelho. Temos de escolher: queremos o Estado Social da escola e da pensão ou queremos o Estado Social do betão e da retroescavadora? Isto é mais importante do que a renegociação da dívida com os credores externos. A nação, como um todo, tem de dizer o seguinte ao dr. Jorge Coelho: "caro empresário socialista da década, as suas empresas não vão ter o cheque combinado. Lamento. Não há dinheirinho". Nesta fase, o meu caro leitor diz "mas, ó Henrique, a Mota-Engil processa o Estado se não pagarmos". Pois, mas eu prefiro essa luta legal a este pântano manso.

 

PS: numa democracia a sério, a última negociata das SCUTs era um caso para o ministério público. Em Portugal, um inconsequente Tribunal de Contas dá um raspanete e as coisas passam. Será que ainda vou a tempo de ser empreiteiro?

PS: é preciso estar atento a uma coisa: para onde vão trabalhar os boys que estão no governo de Sócrates?