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A Tempo e a Desmodo

Drama Queen (aka José Sócrates)

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Henrique Raposo (www.expresso.pt)

I. Eis o resumo do discurso do nosso glorioso primeiro-ministro: "há maus lá fora, e há traidores cá dentro. O mundo está cheio de conspiradores que põem em causa Portugal e a minha governação". Ou seja, assistimos a uma espécie de aplicação da tese da cabala à política internacional. Perante este show de populismo básico e venezuelano (no sentido telenoveleiro), a pergunta é só uma: José Sócrates acha mesmo que todos os portugueses são idiotas? É que, ainda por cima, o homem faz este drama como se tivesse chegado ontem ao poder. Este indivíduo fala como se não fosse primeiro-ministro desde 2005. A culpa, ora ora, é sempre dos outros: ou do FMI, ou dos mercados, ou da extrema-esquerda, ou da direita. A culpa nunca é do PS que está no poder há 15 anos. Pois claro: o PS é sempre bom e senhor da verdade, mesmo quando enterra o país. 

II. Neste momento, José Sócrates só tem uma arma: o nacionalismo serôdio. A esquerda moderada está assim reduzida a uma lógica "temos de parar os maus que vêm de fora". Agora, nem vale a pena explicar que não é o FMI que vai entrar, mas sim o FEEF, ou seja, a UE. Agora, só vale a pena dizer que o nacionalismo mais básico é o que resta ao PS. Um nacionalismo que assenta numa tática bushista: "ou estás comigo, ou estás contra mim; se não estás comigo és um traidor à pátria". Que beleza. Sócrates não comunica ao país o PEC IV, mas os outros é que são traidores. Que beleza. Os juros da nossa dívida estão na casa dos 7% e 8%, mas ele diz que está a salvar a pátria. Que beleza. Recusa-se a pedir ajuda ao FEEF a juros a 5%, porque é bom andar a colocar dívida a 8%. Uhm, sabe tão bem. Obrigado, José. Obrigado por colocares a tua sobrevivência política à frente do dinheiro de todos os portugueses.

III. Este indivíduo-que-por-acaso-é-primeiro-ministro vai cortar ou congelar a reforma do meu padrinho (uns míseros euros), mas não é capaz de acabar com o TGV. E depois ainda diz que aqueles que o criticam são traidores da pátria. Caro José Sócrates, eu, como mísero traidor da pátria, já nem sei o que te diga.