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A Tempo e a Desmodo

Contra o "respeitinho", marchar, marchar

O primeiro-ministro está errado. A investigação do jornal "Público" é uma investigação necessária. O "Público" está mesmo a fazer jornalismo de referência.

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

I. O passado do "José", o cidadão, continua a perseguir José Sócrates, o primeiro-ministro. Depois, quando é confrontado com os factos, o primeiro-ministro continua a atacar o mensageiro em vez de atacar o mal. Ou seja, em vez de explicar os factos, José Sócrates ataca os jornalistas, esses permanentes bodes expiatórios de políticos e de corporações.

II. O "Público" tem razão: esta história das casas da Guarda merecia ser bem explicada. E, mais uma vez, o primeiro-ministro não quis explicar nada. Não respondeu a perguntas, e fez a sua habitual crónica de jornalismo quando disse que o "Público" tinha desistido de ser um jornal de referência. Para José Sócrates, uma investigação ao passado de um político não é um contributo para a transparência da democracia. Não, para o nosso excelso primeiro-ministro essa investigação é só mais um ultraje, mais uma campanha negra.

III. José Sócrates é a personificação de um país que ainda não está habituado a um jornalismo agressivo, o único jornalismo que interessa a uma democracia. Esta intolerância perante um jornalismo agressivo não é só uma marca de José Sócrates. É uma marca de todos os partidos. É uma marca de todas as corporações portuguesas. É por isso que é impossível pensar-se num "60 minutos" em Portugal. A cultura do país não o permite. Vivemos ainda no país do "respeitinho". Em Portugal, um programa como o "60 minutos" seria atacado por todos os partidos, por todas as corporações. Um "60 minutos" português seria visto como coisa de alcoviteiros, e não como um contributo para a transparência da vida pública. É caso para dizer: contra o "respeitinho", marchar, marchar.