Siga-nos

Perfil

Expresso

A Tempo e a Desmodo

Cerveja? Não. Haxixe? Sim

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

Volto à faculdade para ver as provas de doutoramento de um amigo. Corre tudo bem, e vamos de imediato para o bar comemorar o summa cum laude com o devido banho de Super Bock. Mas, para nossa surpresa, descobrimos que o velho bar já não vende cerveja, aliás, já não vende qualquer tipo de álcool. Nada. Nem uma gota. Descubro assim que a minha velha faculdade aderiu ao islamismo ou, então, resolveu tratar adultos como crianças. Alguém pensou que vender umas imperiais era uma má política que poderia, ora essa, comprometer o nome da faculdade. Bom, perante a medidinha islamo-abstémica, saímos para o pátio central da faculdade. Mas "pátio" é eufemismo, porque o verdadeiro nome daquilo continua a ser o-sítio-da-ganza. O cheiro e as práticas dos indígenas não enganam ninguém. A 10 metros do bar que não vende cerveja, eles enrolam com denodo e elas espalham o cheirinho a eucalipto psicadélico. É impossível não cheirar. A não ser que sofram de uma sinusite colectiva, os responsáveis pela lei seca também cheiram o haxixe esturricado nos seus gabinetes.

O nanny state é uma comédia.