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A Tempo e a Desmodo

Carrilho vence Sócrates

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Henrique Raposo (www.expresso.pt)

Não, não estou a fazer futurologia sobre um congresso do PS. Estou apenas a fazer um exercício de memória. Ao longo dos últimos anos, José Sócrates e Luís Amado conduziram uma política externa um poucochinho vergonhosa no campo dos valores. Pela mão do socratismo aplicado à política externa, Portugal queria à força um lugar no Conselho de Segurança da ONU (um lugar com dois anos). Donde os namoricos constantes com as ditaduras do costume. Porque na ONU é assim: as ditaduras mandam e até controlam o comité dos direitos humanos (o regime de Kadhafi controlava este comité; não, não é piadinha minha, a realidade onuseana é que é cómica). Por um lugar com apenas dois anos, Portugal vendeu-se a tudo o que mexia no campo do autoritarismo. E ninguém pensou nos danos que isto causava à imagem de Portugal a longo prazo no campo das democracias. 

Ora, num acto de dignidade raro no mundo do socratismo, Carrilho recusou apoiar um duvidoso egípcio para o cargo de director da UNESCO. Lisboa queria apoiar um homem indigno para o cargo, porque - lá está - era preciso agradar às ditaduras (que, depois, escolheram Portugal em detrimento do Canadá para o lugar no Conselho de Segurança). Carrilho recusou, e pagou o preço. Agora, o tal egípcio apoiado por Portugal está preso. Pedir dinheiro ao FEEF/FMI não me envergonha como português. Isto, sim, é vergonhoso. Portugal foi o único país europeu que apoiou aquele indivíduo.