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A Tempo e a Desmodo

Alberto João é um Sócrates sem Armani

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

O dr. Seguro, excelso líder de um partido que nunca esteve no poder, estava com uma grande moral na questão da Madeira. E sabem uma coisa? Ainda bem. O fogo de Seguro sobre Passos era necessário e justo. O primeiro-ministro não podia, de facto, ir à Madeira. Ou seja, o primeiro-ministro tinha de dizer que Alberto João Jardim era persona non grata. Bom, com as declarações de ontem, Passos Coelho fez exactamente isso. Contra os profetas do isto-nunca-muda-e-o-Alberto-João-será-protegido-pelos-Passos-e-Passinhos, o primeiro-ministro retirou a confiança política a Alberto João. E sem papas na língua. Um ato político de primeira grandeza.

Portanto, neste momento, o dr. Seguro tem dois problemas. Primeiro: tem de elogiar a posição do primeiro-ministro. Segundo: o PSD já resolveu o seu dilema na questão da Madeira, mas o PS ainda não resolveu o seu. E passo, desde já, a explicar este ponto. Para ser coerente com as críticas que fazia a Sócrates, Passos tinha de abandonar Alberto João. Foi isso que fez. Para ser coerente com as críticas que fazia a Alberto João, Seguro tinha de criticar José Sócrates de forma clara. Porque o dr. Alberto João é um José Sócrates sem o Armani. O barão da Madeira é um Sócrates em ponto pequeno, é um Sócrates que governa 200 mil pessoas e não 10 milhões. Desde os tiques autoritários até ao desprezo pelos perigos do endividamento, Alberto João e Sócrates são iguais. A situação da Madeira é uma miniatura da situação de Portugal inteiro, uma situação provocada pela governação de Sócrates. A dívida pública, em 2005, era de 80 mil milhões. Hoje é de 160 mil milhões.

Moral da história? O dr. Seguro exigia que Passos retirasse a confiança política a Alberto João. Muito bem. Mas o dr. Seguro esqueceu um pormenor: para que a sua exigência tivesse legitimidade, o líder do PS tinha de retirar a confiança política a metade da sua bancada parlamentar: o socratismo está lá todo.