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Expresso

A Tempo e a Desmodo

Acabou a brincadeira, sr. engenheiro

Situação é séria e pede patriotismo acima da politiquice: José Sócrates tem de abdicar das suas obras faraónicas. O país não aguenta mais essas brincadeiras. Aliás, acabou a brincadeira.

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

I. Por que razão Manuela Ferreira Leite ganhava os debates com José Sócrates? Porque Manuela Ferreira Leite falava da realidade, enquanto o primeiro-ministro navegava na fantasia. Agora, a fantasia esfumou-se, e a realidade, diagnosticada por Manuela Ferreira Leite, está aí: a dívida está a apertar, e o país está a chegar ao ponto de colapso. Porque, de facto, ninguém lá fora acredita em nós. E há razões para isso. Que legitimidade pode ter um Governo que insiste no plano de grandes obras públicas no actual cenário?

II. Tal como salienta o professor de economia Álvaro Santos Pereira, o Governo tem de apresentar um conjunto de medidas imediatas no sentido de conter a desconfiança internacional. A primeira dessas medidas já devia ter sido apresentada há meses: acabar com os planos de obras públicas; acabar com a loucura do TGV e do aeroporto. Mais: a médio prazo, tem de acabar esta ideia de que o investimento público - financiado pela dívida - é o motor da economia. Até porque os credores internacionais estão fartinhos de financiar o socialismo português, e estão desconfiados que esse socialismo luso não vai gerar dinheiro suficiente para Portugal honrar seus compromissos. E os credores têm razão: Portugal está em crise económica há mais de 10 anos. Há mais de 10 anos que Portugal diverge da média europeia.

III. Em anexo, o Governo, apoiado pelo PSD e CDS (o BE e o PCP que fiquem a brincar aos 1976) deve dizer que errou ao anunciar que iria cortar o défice em apenas 1% neste ano. Como José Gomes Ferreira tem dito inúmeras vezes na SIC, é um absurdo esta ideia de começarmos a poupar apenas para o ano. Os cortes na despesa têm de ser feitos já. "Isto é p'ra ontem".