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Expresso

A Tempo e a Desmodo

A minha filha é um bully

Há dias, quando cheguei à creche, a minha filha estava entretida a espancar com satisfação vampírica uma coleguinha da turma, usando para o efeito o arsenal típico da mais velha do pedaço. Como é boa a vida aos 13 meses. Com medo da resposta, perguntei se aquela situação era comum e, sim senhora, a sua menina é despachada, sabe?, não gosta que lhe tirem os brinquedos, não é para brincadeiras, não senhora, deve sair ao pai, não é? Ou seja, não foi a primeira vez que a minha filha transformou a cabeça de outros meninos numa espécie de tambor. Sem o saber, tinha em casa um bully de babete e fraldota. E não, não sai ao pai, coitadinho do pai.

Estou obviamente a brincar com a situação. Num berçário não existe a figura do bully, nem as educadoras têm de reportar todos os incidentes. Mas este episódio engraçado fez-me lembrar outros casos menos engraçados. Tenho amigos e familiares cujos filhos já crescidos estão a ser educados em jardins-escola e em escolas onde existe a política do "não se fazem queixinhas". Um miúdo de 5 anos leva pancada de forma sistemática, queixa-se à professora e recebe como resposta um "aqui não se fazem queixinhas". Há um silêncio moral da parte da escola, e, em consequência, os pais nunca sabem de nada.

Porque é que isto acontece? Em casos extremos, estamos a falar de professoras que aboliram por completo o mal da educação. A criancinha não pode ser castigada, punida, repreendida. É a típica comédia saída das catacumbas das ciências da educação. Mas, apesar de tudo, esta amoralidade pedagógica não pode explicar tudo. Nem todos os professores ou educadores aceitaram a pós-modernice. Então, por que razão não dizem nada? Em conversa com algumas responsáveis, percebi que existe outro problema: não se diz nada, porque boa parte dos pais não aceita reparos em relação aos seus rebentos, "o meu João a bater noutros meninos?, nem pense nisso, coitadinho, é tão meiguinho?, deve ser culpa de outros". Um filme que já vem do meu tempo. Como não quero entrar no filme, já avisei a escolinha: quando ela entrar na sala dos crescidos, por favor, digam qualquer coisa quando surgirem estes problemas. Mas, por enquanto, a bully rosadinha vai continuar a arrancar cabelos. Privilégios de quem tem 13 meses.

 

Da série "Daddy blog é filosofia":

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