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Expresso

A Tempo e a Desmodo

A força dos católicos

No Terreiro do Paço, não vi uma Igreja em crise. Vi, isso sim, uma poderosa tribo, cheia de fé e de força. 200 mil pessoas a gritar "vivó Papa" causam um certo arrepio.

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

I. Estar no meio de um mar católico tem a sua graça. Fiquei entre a ti'Joaquina ali da tasca e as famílias de sete apelidos separados por três "de". Esta mistura é sempre boa, sobretudo quando estamos no meio de 200 mil pessoas. Ou mais. O "Público" fala em 100 mil pessoas; o "i" fala em 200 mil. Ora, pegando na minha calculadora mental, eu diria que estavam mais de 200 mil. Se contarmos com o mar de gente que era a Rua Augusta e as outras praças, não é difícil chegar às 250 mil pessoas. Meus amigos, eu não quero ver uma Igreja forte e sem crises. Esta Igreja fraca e sem fiéis já é suficiente. Uma Igreja forte é capaz de meter medo e causar golpes de estado.

II. Num mundo virtual, onde tudo se vê pela TV e pela net, foi refrescante observar 250 mil pessoas que queriam ver o Papa. Como diz Paulo Moura ("Público"), as pessoas não queriam "visionar" o Papa. Queriam "ver" o Papa. Ao vivo, a cores e a curta distância. Eu percebo. Eu também queria ver o Papa, e acho que nem baptizado sou.

III. Outro lado da festa: aquilo parecia uma declaração política. Muitas pessoas queriam demonstrar "ao outro lado" (os jacobinos) que a Igreja é forte, e que os católicos são fortes. A missa foi interrompida várias vezes por uivos políticos e palmas ideológicas. Eu percebo essa ânsia, mas esse não é o caminho. A fé não pode ser baseada no ódio ao outro lado. "Ser-se católico" não pode ter como identidade o ódio ao "ser-se ateu". Os católicos devem prestar atenção às palavras de Bento XVI: os inimigos da fé estão dentro da Igreja. Os ateus são só os adversários.