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Céline

Céline é um grande escritor. Céline é antissemita. As duas dimensões coexistem em frases diferentes. Não vale a pena escrever “Céline é grande escritor mas é antissemita”. O antissemitismo animalesco de Céline não diminui os seus romances, e os seus romances sublimes e também animalescos não legitimam o antissemitismo. O escritor não é um semi-deus ou druida com poderes especiais e extra-humanos: o que sai da sua pena não é sagrado e verdadeiro à partida; é só um ponto de vista; a cabeça que escreve livros espantosos de manhã pode escrever panfletos imundos à tarde.

Impor um boicote a Céline ou impedir a publicação dos seus panfletos antissemitas numa edição de “Obras Completas” é uma intenção sem sentido. Ou seja, o recuo da Gallimard infantiliza o leitor e diminui-nos enquanto civilização.

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