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Uma casa dividida

Seguindo uma lição bíblica partilhada por Santo Agostinho e Hobbes, Abraham Lincoln entrou na história dos EUA logo em 1858 com o discurso da “casa dividida”. “Se uma família se dividir contra si mesma, essa família não pode subsistir” (Mc 3, 25), se “todo o reino, dividido contra si mesmo, fica devastado” (Mt 12, 25), a América, dizia Lincoln, não podia sobreviver a uma ferida interna tão profunda como a escravatura, a América não podia ser meio livre e meio escrava, meio livre e meio esclavagista, eram duas metades inconciliáveis, dois ex-amigos que se viam como inimigos no sentido schmittiano: a mera existência do outro lado era uma ameaça constitucional e até ontológica.

O Partido Republicano, convém recordá-lo, foi fundado por Lincoln precisamente como plataforma anti-escravatura. O curioso é que século e meio depois o Partido Republicano transformou-se na plataforma dos inimigos de Lincoln. O GOP é o hoje o partido do espírito sulista que permanece mais ou mais intacto numa América que regressou à desunião.

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