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Na democracia dos cossacos

Livro de estilo político para a era do facebook

A democracia facebook cria assim um padrão: saltamos da absoluta transparência da rede social para a absoluta opacidade da ditadura

Os guerreiros cossacos eram democratas genuínos; cultivavam o genuíno ideal da democracia direta. Como mostra Gogol em “Tarass Bulba”, as decisões desta tribo eram tomadas em intempestivas reuniões numa praça ou rua, de preferência junto a corpos decepados ou esfolados. A escolha do líder, por exemplo, era tomada no meio de copos e emoções moldadas e instigadas ali no momento; não havia ponderação nesta ágora intempestiva, apenas emoção e epiderme. O curioso é que nós, ocidentais de 2017, caminhamos a passos largos para algo parecido. A nossa emergente e acarinhada democracia facebook, a enésima manifestação da democracia direta, tem mais em comum com esta ágora cossaca do que com a república de Kant e Madison.

Qual é a diferença entre a caótica democracia cossaca e a caótica administração Trump que decide ao sabor do momento e quase sempre sem particular respeito pelas regras republicanas que foram criadas para domar as vagas cossacas do momento? Qual é a diferença entre a assembleia cossaca e a atmosfera infantil que gerou o Brexit? E Trump e o Brexit são apenas o zénite caricatural de um modo de estar cada vez mais comum nos políticos, nos jornalistas, nas pessoas em geral.

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