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Como é que a sociedade das viagens constantes cria tanto nacionalismo?

1914 está ao virar da esquina

1914 está ao virar da esquina

Leiam Zweig e Andric. É cada vez mais claro que caminhamos para um cenário parecido a 1914. Uma civilização outrora cosmopolita caminha a passos largos para a fragmentação. A UE é cada vez mais um eco do glorioso império austro-húngaro. E a aparente contradição repete-se: a sociedade das viagens constantes e do turismo, das escapadinhas e da mistura contínua de povos e gentes, é o ovo de serpente do regionalismo, do nacionalismo, do tribalismo, da obsessão com a identidade única, como se vê nas casas de banho “transgénero” nos EUA, na juventude independentista da Catalunha, no nacionalismo grego despertado por Tsipras, em Trump, no Brexit, em Orban, na Polónia. A sociedade das low cost não devia ter gerado o efeito contrário?

Podem argumentar que as pessoas que votam nos regionalismos e nacionalismos são as pessoas mais velhas, mais afastadas das viagens, mais pobres, mais desiludidas com os cosmopolitismo dos mais novos e dos mais urbanos. Sucede que os mais novos também votam nos regionalismos e nos separatismos, como se vê na Escócia e na Catalunha; os comícios de Trump também têm jovens; a “política de identidade” da esquerda americana é jovem e controla com punho de ferro as faculdades. A meu ver, o ponto é outro. Viajar não implica conhecer e respeitar. Se passamos uns dias ou mesmo uma semana em Praga ou Istambul sem conhecermos indígenas que nos mostrem as entranhas e o coração do local, então é certo que vamos ficar à superfície; será uma viagem para o instagram e o facebook. Costumo dizer, meio a brincar meio a sério, que devíamos viajar menos e melhor.

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