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Pittsburgh é Rosa Parks

É espantoso como os pobres passaram a ser desprezados pela elite intelectual. Perdão, deixem-me corrigir: é espantoso como os brancos pobres passaram a ser desprezados pela elite intelectual. Um pobre negro, hispânico, oriental ou muçulmano fica nos bancos da frente, os bancos de trás são apenas para o pobre branco, a Rosa Parks do pós-modernismo americano. Ele é diabolizado ou gozado todos os dias pela cultura que sai das grandes cidades, não tem direito à empatia, é o único que não tem direito à empatia. E, passados quase dois anos sobre a emergência do fenómeno Trump, é ainda mais espantoso verificar como nada mudou na cabeça dos “sofisticados”.

Por ser pobre, por estar a empobrecer há duas gerações e por se sentir humilhado pela tal esquerda outrora sua aliada, este pobre branco celebra as irracionalidades de Trump, porque o franjinhas é o único que se digna falar para ele. A esquerda urbana e “sofisticada” recusa saber onde fica Pittsburgh, recusa compreendê-la logo à partida; armada com tweets, posts, Daily Shows, CNNs, dezenas de jornais e muita intolerância, a esquerda quer salvar o planeta sem passar pelos seres humanos desprezíveis, pobres e branquelas de Pittsburgh.

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