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Vírus

A gripe espanhola matou dezenas de milhões de pessoas há apenas um século. Em Portugal matou 60.000 pessoas, na sua maioria jovens adultos. Muitos dos nossos avós ou bisavós morreram nesta peste negra, que chegou até nós através dos soldados da Flandres e dos trabalhadores alentejanos que regressavam das searas espanholas. Este desastre natural não tem o espaço que devia ter na nossa memória coletiva (ocidental e portuguesa), porque ocorreu ao mesmo tempo que a I Guerra Mundial.

É mais fácil fazer filmes e livros sobre um apocalipse feito pelo homem; as suas razões são compreensíveis, é possível fazer a sua narrativa, está à superfície. Ao invés, um apocalipse feito pela natureza é incognoscível, perturba o nosso subconsciente coletivo de forma mais profunda. A ciência até pode descobrir a composição do vírus (o “como”), mas nunca compreenderemos o “porquê”, até porque esse “porquê” é uma irrelevância moral que a natureza amoral despreza. Além disso, se é possível assinar um acordo de paz entre homens, é impossível assinar um acordo de paz com a natureza, com os vírus, com as epidemias.

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