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Dante e os refugiados

No meio de tanto ruído e hashtags, não espanta que este tempo seja incapaz de isolar a voz do mal. Uma gravação revelada pela revista “L’Express” mostra como as autoridades italianas desprezaram com um bocejo burocrático um barco cheio de famílias sírias - morreram centenas, sessenta crianças incluídas. A partir do tal barco esburacado, um médico sírio ligava para as autoridades italianas, que reagiam do outro lado do telefone como se estivessem ali no centro de saúde da Bobadela tratando de um pé torcido, e não de um barco que se afundava com centenas de seres humanos lá dentro.

Não houve um pico de urgência naquele fio de voz. Da parte italiana, a conversa foi sempre burocrática, fria, processual, “pois, espere aí, vou-lhe dar o número de Malta, porque vocês estão mais próximos de Malta”. É como se o sírio não tivesse falado com seres humanos, mas com um algoritmo. É como se tivesse ligado não para um posto de salvamento mas para um call center.

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