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O conflito entre cães e crianças

O Expresso dizia ontem que centenas de pessoas, quase sempre crianças, foram atacadas no último ano e meio por cães de raças perigosas. Centenas. A minha pergunta só pode ser uma: quando é que vamos abater e depois proibir estes cães que foram desenhados pela natureza ou pelo homem para serem armas de defesa e de ataque? Quando é vamos impedir que adolescentes imberbes andem com estas armas pelas ruas só porque sim, só porque dá aquele charme chunga-dread?

Como diz o meu amigo Bruno Faria Lopes, as conversas dos donos destes cães até fazem lembrar as conversas dos fanáticos das armas nos EUA. Não acreditam? Sentem-se na rua ou nos jardins e oiçam as conversas bélicas. E, por falar em jardins, convém perceber que estes casos mediáticos são apenas a face mais visível de um conflito diário entre toda a espécie de cães e as crianças. Quem tem filhos em idade de brincar em jardins e parques sabe do que estou a falar: uma ida ao parque é sinónimo de um conflito frio ou quente com cães e/ou com donos de cães, porque os espaços que deviam ser das crianças estão sempre ocupados pela canzoada. E essa ocupação tem vários lados.

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  • Já gastei muito latim contra os chamados ‘direitos dos animais’, afirmando o que me parece óbvio: são as pessoas que têm deveres em relação aos animais que estão à sua guarda e, de um modo geral, em relação aos animais domésticos ou domesticados e não os animais que auferem quaisquer direitos. Tal não impede que a doutrina dos ‘direitos dos animais’ faça o seu caminho – mesmo até ao Parlamento, onde se senta um eleito em nome desses princípios. Não irei tão longe como Miguel Sousa Tavares que afirma ter por esse deputado a mesma consideração política ou intelectual que tem por uma perdiz sem penas ou por um coelho sem pelo, mas aproveito a onda dos cães que atacam crianças para lhe pedir que pense bem nas inanidades que espalha

  • Rottweiler: “uma arma” que pode ser “extremamente dócil” quando é bem-educada

    Um rottweiler adulto pesa cerca de 50 kg e a força da mandíbula torna quase impossível abrir a sua boca quando ferra os dentes em algo ou alguém. O potencial agressivo e a força fazem dele uma das sete raças consideradas perigosas, mas a educação é a chave para não serem “uma arma”. “Já vi rottweilers muito mansos, mas também já houve alguns que nem me cheguei perto”, conta ao Expresso o bastonário da Ordem dos Veterinários. Segundo a GNR, nos últimos 15 meses registaram-se 355 ataques com cães