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Decência: de Todorov a Santo Agostinho

Tzvetan Todorov (1939-2017) fez no ensaio aquilo que Camus fez no romance. Os seus ensaios faziam às ideias aquilo que Camus fazia às personagens, ou seja, impunha-lhes uma certa decência camusiana, que assentava neste princípio: o fim das utopias não legitimava o cinismo, não saltamos do 80 maximalista para o 8 minimalista; há um ponto intermédio – a decência - entre a overdose utópica e a amoralidade do cinismo.

O pensamento de Todorov até me faz lembrar Bernard Rieux, a personagem principal de “A Peste”: a inexistência de uma Humanidade una e bondosa não legitima o abandono dos homens concretos que sofrem à nossa volta. Este humanismo camusiano é bem evidente num dos grandes resumos do século XX, “Memória do Mal, Tentação do Bem” (Edições Asa).

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