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A esquerda será absorvida pela extrema-direita

No romance “Submissão”, Houellebecq projecta um futuro em que a esquerda francesa e europeia desaparece em nome do islão: os progressistas e mesmo os revolucionários convertem-se ao islão e engrossam as fileiras dos partidos islamitas que passam a ser o centro da política. Não por acaso, esta osmose ou submissão já existe por exemplo na Holanda: a destruição do Partido Trabalhista holandês tem várias causas, uma delas é a emergência do Denk, partido islamita, pró-Erdogan, anti-Holanda, anti-valores europeus – e claro que o Denk é formado por ex-deputados do Partido Trabalhista.

Para criar um retrato ainda mais realista, faltou a Michel Houellebecq mais um pequeno esforço de imaginação, que, na verdade, é apenas um esforço de análise: a esquerda também está a ser absorvida pela extrema-direita. Perante o colapso do comunismo e do socialismo, a esquerda procurou a salvação na linguagem reaccionária, culturalista, nativista; o “multiculturalismo” ou “politicamente correcto” é uma escola de pensamento reaccionária e romântica, sem qualquer marca iluminista. Os últimos anos só reforçaram esta tendência. Todos os dias vemos esta continuada deriva nacionalista da esquerda. Ainda ontem Catarina Martins fez um discurso à Le Pen sobre o Euro.

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