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Não é a austeridade, é o Islão

O fim do domínio do “economês” sobre o espaço público é um dos aspetos positivos desta crise europeia. Nas últimas décadas, à esquerda e à direita, grande parte das narrativas reduziu o homem a um mero “homo economicus” empoleirado numa escolha monetária. Ora, a emergência de preocupações identitárias e culturais em países sem problemas económicos (Alemanha, Áustria ou Suécia) mostra que o homem é um ser mais profundo e interessante do que o retrato robô do “economês”. Afinal, “Quem somos?” é uma pergunta mais importante do que “quanto ganhamos ao final do mês?”

Quando a primeira pergunta enfrenta uma dúvida existencial, a segunda torna-se mais ou menos irrelevante. Na Alemanha, a economia está pujante e distribui riqueza por todos, mas existe um mal-estar cultural provocado pela crise dos refugiados e pelo debate sobre a integração das comunidades muçulmanas. Repare-se que este mal-estar e o crescimento decisivo da extrema-direita (AfD) não foi desencadeado pela temática económica (austeridade/pacotes de ajuda), mas sim pela questão islâmica - o que desagrada a uma direita que só sabe falar de economia e a uma esquerda que recusa ter discurso crítico sobre o Islão.

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