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Soares não fez nada sozinho

Esta hagiografia colectiva e acrítica não contribui para a compreensão do passado, só cria mitologia. O sentimento de orfandade que se está a fabricar não faz sentido. É como se os portugueses ficassem agora perdidos sem as indicações do pai Soares, progenitor dos portugueses. Por favor, não se traga para a democracia o pior do salazarismo. Comportemo-nos como uma democracia adulta.

Claro que Soares foi grande, mas não fez nada sozinho. Por exemplo, a Fonte Luminosa e a resistência ao PCP não teria sido possível sem a força da Igreja e dos católicos. Aliás, em 74-76, a Igreja era a única força com dimensão para resistir ao PCP. Ao contrário de Cunhal, Soares e Sá Carneiro não tinham partidos implementados no terreno. O PS em 74/75 era um grupo de amigos que pensava que ia ficar atrás do PCP nas eleições.

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  • Novembro foi o fim necessário da festa. Necessário, porque a revolução se dirigia para um precipício que poria em risco grande parte das suas conquistas. Ou porque os comunistas as tornariam noutra coisa ou porque o revanchismo de direita faria o tempo andar para trás. É absurdo muitos comunistas guardarem rancor por Soares ter contribuído para travar um processo de degenerescência da revolução que seria inevitavelmente derrotada no extremo ocidental da Europa. Na realidade, o PCP pode agradecer o facto daquilo a que chamam contrarrevolução ter sido liderada por Soares e seus aliados e não, como queriam alguns políticos norte-americanos, pela direita autoritária, repetindo uma “pinochada” em Portugal. Foi isso que garantiu o papel que o PCP manteve na democracia portuguesa e que defendeu o fundamental do legado de abril. Mas talvez a minha maior divergência com os comunistas (e não só) em relação a este assunto comece por aqui: eu sou dos que acham que abril se cumpriu

  • A mais loooooonga pergunta do mundo

    Segunda das cinco histórias que publicaremos sobre a vida de Mário Soares esta semana, sobre uma pergunta interminável e com duas traduções sucessivas

  • Soares é fixe: edição especial e gratuita do Expresso Diário para guardar

    Henrique Monteiro escreve sobre o maior homem do tempo dele em Portugal. Ricardo Costa antecipa o guia para ler Mário Soares no Facebook. Pedro Santos Guerreiro explica como somos livres para dizer que nos dói perder Soares. António Valdemar, que foi aluno de Mário Soares - com o qual privou durante décadas -, deixa uma testemunho inédito. Joaquim Vieira, biógrafo, elabora sobre a coragem de Soares. Na opinião: Daniel Oliveira, João Semedo, Vítor Ramalho e Henrique Raposo. Soares é fixe

  • As cores do luto

    Mário Soares morreu, mas está vivo nas fotografias a preto e branco. Nas capas dos jornais. Nas mensagens escritas à mão. Na voz de quem grita na rua que ele “é fixe”. No vermelho das rosas e no amarelo das bandeiras. E em duas andorinhas desenhadas na capa de um livro