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Celebre-se a morte de Cunhal

É impressionante a rapidez com que o impensável passa a ser o novo normal. Durante quarenta anos, a nossa III República foi uma aberração dentro do quadro europeu devido ao radicalismo do PCP e BE, partidos anti-sistema que se auto-isolavam das responsabilidades do poder. Ainda há dois ou três anos, Francisco Louçã usava a linguagem de Cunhal: as negociações parlamentares eram coisas vis, impuras, corruptoras da pureza, eram hábitos de gente mole que vendia a sua verticalidade ideológica por um prato de lentilhas; a pérfida “direita” começava nos “reformistas” do PS.

Sucede que BE e, acima de tudo, PCP adoptaram uma atitude “reformista” depois da vitória da direita em 2015. Mesmo num contexto de enorme desgaste, a força do bloco sá-carneirista apareceu à hora marcada e esta bipolarização mudou a face da esquerda. Por outras palavras, Sá Carneiro e Vítor Cunha Rêgo tinham razão: se a direita for direita, se a direita apresentar um bloco político e cultural diferente do socialismo, a esquerda encontra os caminhos da normalização. Cunhal morreu há doze anos. O cunhalismo está agora a entrar no caixão. Celebremos.

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