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Fillon, a melhor notícia do ano

É católico, patriota, liberal e democrata, por esta ordem e sem contradição. Já li peças que o descrevem como uma “nova síntese” entre abertura e patriotismo, entre a pulsão liberal e a pulsão nacional. Mas qual é a novidade? Fillon parece-me um liberal clássico, um liberal conservador à moda antiga, a melhor coisa que se pode ser na política moderna. E esta qualidade é agora reforçada pelo nosso contexto. É que o futuro da Europa não será decidido num duelo esquerda-direita, mas sim num confronto entre duas direitas.

Espera-se agora que os média percebam de uma vez por todas que não existe uma Direita monolítica e facilmente diabolizável ou caricaturável. Convém perceber as diferenças, porque são personalidades conservadoras e liberais como Fillon e Merkel que podem estancar a nova vaga de populismo nacionalista que quer reduzir a cinzas o actual centro político. E aqui está a primeira diferença. Uma direita clássica, conservadora e liberal, nunca é niilista, nunca quer destruir tudo para recomeçar um novo mundo cheio de pureza. Esse propósito da direita reaccionária e nacionalista é um propósito em si mesmo revolucionário. Sim, o reaccionário é tão radical como o revolucionário.

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  • Mais uma vitória inesperada, mais umas sondagens totalmente enganadoras e mais algumas lições que se podem tirar deste fim de semana em que Fillon, inesperadamente venceu as primárias do centro-direita francês, ditando o fim político de Sarkozy, e em que Angela Merkel decidiu apresentar-se a um quarto mandato como chefe do Governo alemão

  • Foi em França que a extrema-direita entrou primeiro no grupo dos grandes. Foi em França que, através da filha de Le Pen, procurou os mínimos de “respeitabilidade”. E é em França que toda a esquerda está a ser dizimada. É provável que todos os eleitores de esquerda, dos mais centristas aos comunistas, sejam obrigados a escolher entre um admirador de Thatcher e uma candidata de extrema-direita. Foram impressionantes os ataques a direitos sociais e até democráticos levados a cabo pelos socialistas franceses nos últimos anos. A direita teria dificuldade em chegar tão longe com tão pouca oposição. E os que estão à esquerda do PSF não conseguiram liderar a contestação a este desvario. O preço do travestismo político dos socialistas não foi apenas a morte dos socialistas. Foi o desaparecimento da esquerda do debate político. O resultado está à vista com confirmação de que Trump não foi um acidente