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Teríamos estofo para a Pneumónica?

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Estou a ler dois romances diferentes que por acaso utilizam a Gripe Espanhola ou Pneumónica (1918-1919) para retratar personagens: “Nós, os Afogados”, de Carsten Jensen, “Papel Pardo”, de Henrique Monteiro. O primeiro é uma epopeia centrada numa vila dinamarquesa de marinheiros entre meados do século XIX e meados do século XX. O segundo é um retrato das nossas Terras do Demo (Beira Alta) em meados do século XX. Monteiro e Jensen mostram como há exactamente um século as mortes da epidemia foram recebidas com alguma normalidade. Claro que se choraram os mortos, mas as pessoas tinham uma grelha moral que enfrentava a morte de frente; a morte, a dor e a doença não entravam pela porta do cavalo. Portugueses e dinamarqueses enterraram os mortos, não fizeram filmes ou queixumes, seguiram com a vida.

Se enfrentássemos semelhante tsunami de vírus, será que nós seríamos capazes do mesmo estoicismo? Será que temos dentro de nós a grandeza moral dos nossos avós e bisavós? Nós, portugueses de 2016, teríamos a força para suportar a morte de 60 mil a 120 mil mortos em apenas um ano?

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