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Guterres faz falta aqui, não na ONU

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Bem sei que António Guterres anda mortinho por salvar a Humanidade, bem sei que a imprensa pátria puxa pela nomeação do nosso homem para o trono da ONU, mas o certo é que o ex-primeiro-ministro pouco ou nada mudaria na ordem mundial. O mesmo já não se pode dizer da ordem caseira. Se voltasse a ser uma presença constante no espaço público português, a partir do trono da Gulbenkian, por exemplo, Guterres seria uma figura decisiva.

Não, não sou guterrista, nem é esse o ponto. Guterres representa uma esquerda dentro do PS que tem de ser ressuscitada no contexto da radicalização socrática que ainda não estancou. O regresso de Guterres poderia ser a sutura da ferida socrática, que continua a pingar sangue por todo o sistema político.

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  • Como muitos esperavam, o caminho de Guterres para a liderança da ONU estava destinado a embater no pior da “realpolitik”. Definiram-se regras, foram agendados debates, fizeram-se votações. Chegado o fim do processo, entra uma nova candidata, que não teve de passar por nada disto. É verdade que isto já aconteceu antes, como bem sabe Boutros Ghali, que teve de ceder o seu lugar a Koffi Annan quando o processo já estava no Conselho de Segurança. Nem a ONU é uma democracia, nem os seus procedimentos são totalmente previsíveis. Estamos no terreno da diplomacia. Mas, desta vez, houve uma promessa de transparência e as provas públicas, debates e avaliações pretendiam melhorar a desgastada imagem das Nações Unidas. O escrutínio, neste tempo de informação global, é outro. E a golpada alemã, que só será bem sucedida se contar com o apoio de americanos e russos, terá efeitos um pouco mais nefastos. Pior do que não ter regras e fingir que se tem e não as cumprir. Mas nada está perdido para Guterres: se estivesse, Georgieva não seria, em mais uma absurda originalidade política da Europa, uma comissária com licença sem vencimento