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Submissão

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Submissão”, de Michel Houellebecq, é medíocre como romance. O autor cometeu um erro clássico: inventou uma trama pessoal apenas e só para corporizar uma tese política; essa instrumentalização sente-se em todas as páginas; as personagens não têm vida própria, estão ali apenas como exemplos práticos da grande tese, a saber: a França está tão decadente ao nível dos valores patrióticos e morais que, em 2020, acaba por se submeter ao islamismo. À esquerda ou à direita, esta forma de escrever ficção acaba sempre numa previsível mediocridade. Michel Houellebecq não foge à regra. Poderia ter escrito um ensaio importante, ficou apenas com um romance medíocre. Seja como for, “Submissão” merece discussão, porque a tese geral é sólida. No fundo, merece ser lido como se fosse um ensaio. Não, não penso que a França e a Europa caminhem para a distopia de Michel Houellebecq, mas o livro tira bem a pinta ao presente.

François, a personagem principal, é um símbolo do nosso tempo: investigador universitário quarentão, vive sozinho, não tem mulher ou filhos. Vive de relacionamentos ocasionais com alunas numa espécie de torvelinho de amores líquidos que recusam qualquer compromisso sólido.

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