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O mal

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Ele existe

“Muitas vezes quando ando de metro, chego a evitar sentar-me ao pé de algumas pessoas. Não sei bem porquê, não sei se é para não os perturbar ou se é para eu não ser perturbado.” Recolhida há uns meses por um repórter do Observador (João de Almeida Dias), esta declaração de um muçulmano parisiense diz tudo sobre a atmosfera que se vive em França. O abismo entre os franceses e as comunidades muçulmanas é cada vez maior, as pontes estão a ser destruídas pela campanha de terror que tem um objetivo cirúrgico: plantar o medo no coração de toda a gente. E está a resultar. Quem é que pode dizer com honestidade que não sente o ferrão do medo quando vê um muçulmano num transporte público?

Todos sentem esta picada. A diferença entre as pessoas, a diferença entre civilização e barbárie, está na forma como se lida com esse medo. Por enquanto, a maioria de nós ainda mantém uma pose civilizada. Pode ser sol de pouca dura. Se os ataques continuarem, se as comunidades muçulmanas não forem capazes de dar um grito inequívoco de aliança com a República e de recusa do islamismo, se nada mudar, chegaremos então a um ponto em que toda a gente recusará mesmo entrar numa carruagem com muçulmanos lá dentro. Não é racismo, é medo.

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